sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

.quando o dia não quis entrar.

.também procurou o conforto do sol. mas havia uma canção secreta cantando baixinho num canto de quarto - dizendo coisas submersas. dizendo do que estava aqui e não se anunciava. mesmo quando caminhou pela tarde bellíssima com uma chuva fininha fazendo dançar névoa como uma cortina de nuvens. então quis encontrar macios e penumbras. quis perder-se entre lençóis - no calor uterino de coisas antigas e que nunca se resolvem em um raio de sol. talvez fosse cedo pra hibernar assim. talvez fosse cedo e as horas não se importasse de dar uma nova chance para um fôlego que lhe levasse até alguma onda. até a um súbito mar. até a alguma cachoeira elouquênte com um discurso sufi sobre as possibilidades de ser idioma e lugar. talvez fosse tarde para reaprender infância. jogos de corpo e sentimentos todos rindo dentro das caixas antigas. talvez infância fosse passaporte perdido para além daqui. envelheceria de remoçar?. ou estaria deitado em uma juvenília que não quer acabar?. suas sombras dançavam em brincadeiras platônicas e teatros chineses. sentiu esfriar o longe que antes lhe chamava para passear. tudo assim entrincado em arabesco de ser não ser. ainda se aconchega em imagens e poemas que lhe percorrem os cabelos e as costas. ouve a canção secreta que seu coração não pára de cantar. lá fora caem folhas. chove entre flores. ondeiam copas. o dia chegou. mas não quis entrar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

.de volta à aliors.



.antes pensei que fosse difícil voltar. achei que aliors tivesse sido um momento. ou algo para ser vivido quando jovem é o espírito e todas as coisas estão exalando uma espécie de mística estranheza. também já compreendi aliors como um canto para onde se pudesse fugir quando os limites se esgotassem - como se um repouso possível o habitasse. em tempos de desconforto extremo temi voltar. por medo que a ameaça de alheiamento chegasse como sombra sedutora. agora estou na paz de fúrias novamente. por isso aliors fala comigo e eu posso apreciar o som da suas canções.

.estes diários não servem para nada. ou talvez não tenham nenhum propósito definido além de serem o que são: formas de conversar com o sendo não-cotidiano. em aliors todas as formas de existir são sempre redimensionadas. por se tratar - especificamente - de um certo estar no mundo talvez possa parecer hermético ou estranho à princípio. mas muitos visitam aliors sem darem por isso conta. naquele instante ínfimo em que se desconectam com o aparente e mergulham numa outra densidade de realidade. às vezes é uma nuvem de poeira dourada suspensa na luz do entardecer que conduz a aliors. ou quando diante do discurso de alguém que nos interpela dessassociamos da conversa e por momentos mergulhamos fundo nas sensações provocadas pela forma como uma mecha de cabelo do nosso interlocutor suavemente balança com uma brisa invisível - em aliors todas as coisas são extraordinárias.

.estamos em aliors quando somos levados para esse encantamento que inaugura lugares novos por dentro. é quando o mais banal acontecimento ou objeto subitamente translumina-se e revela sua outra diversa natureza.

.estar em aliors é indefinível. só quando se aprende a voltar lá é que se pode começar a conhecer suas paisagens submersas.

.estes diários são uma forma de compartilhar esta experiência. no desejo de que tu que me lês também queira visitar aliors. alhures. ou como tu quiseres chamar esse lugar.

.aqui é sempre uma forma de sonhar.