segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

.aprendendo a ser.



.quantas peles me vestem de quem sou? como posso tornar tantas peles um ser que sonha e deseja e dança e ama e se entrega? tenho aprendido sobre minhas formas de estar no mundo. ainda há muitos mistérios entre o que se sente e o que se cumpre. onde dorme a tristeza quando é preciso estar diante do mundo e adiar o "si" para seguir adiante cumprindo e criando? em qual ser toca quem me toca? o que fazer do contato desejado e inexistente? onde guardar a fragilidade nua quando se atravessa searas de pedras e espinhos? por que o olhar sempre busca a nuvem altíssima - que segue em frente: sendo simplesmente?.

.o amor - esse lugar de centelhas iluminadoras e intensidades úmidas e entorpecentes - ainda aguarda. portas todas abertas para um nascente/poente. flores todas de langores e cores e perfumes de se deitar até sonhar poemas com corpo e vontades. palavras gestando até a chegada de pele que lhes seja leito e deleite.

.o amor está em todas as peles. como seta que atravessa camadas da existência e dá sentido a cada uma com conexões permanentes.

.como amar sem ocultar-se nas virtudes? como amar para além das virtudes?. peles transparentes ainda protegem? tatuar nas peles transparentes o retrato de um ser em camadas extasiadas. quem há se reconhecê-lo inteiro a ponto de querer misturar-se com suas páginas?.

.caminhar em si ainda é maior jornada. perder-se de se achar. tecendo fio de ariadne de trás para adiante.

.quem pode caminhar assim? quem pode querer acompanhar?.

.ser viajante e estrada.

.destino de viagem é tornar-se viagem.

.ir até no lá - que aguarda alegre ou triste. amante ou indiferente. certo ou distante.

.ser do que há.